quarta-feira, 28 de setembro de 2016

IX Jornadas de Cultura Espírita do Porto


Revista Espírita - ano VI - junho de 1863 - Algumas refutações

Revista Espírita
Jornal de Estudos Psicológicos
ANO VI JUNHO  DE 1863 N o 6

Algumas Refutações

Por vezes a paixão cega, a ponto de fazer cometer singulares inconseqüências. Na passagem citada acima, o Rev. Pe. Nampon diz que “nada é mais vazio de atrativo que essas publicações, cujo sucesso fabuloso, etc.” Não percebe ele que essas duas proposições se destroem reciprocamente; uma coisa sem atrativo não poderia ter nenhum sucesso, porquanto só o terá com a condição de ter atrativo; com mais forte razão quando o sucesso é fabuloso.
Acrescenta que com o dinheiro gasto em Lyon com essas inépcias, facilmente teriam sido criados mais leitos nos hospícios de alienados daquela cidade, superlotados desde a invasão do Espiritismo. É verdade que seriam precisos trinta a quarenta mil leitos, só em Lyon, já que todos os espíritas são loucos. Por outro lado, visto que são inépcias, nenhum valor possuem. Por que, então, lhes dar as honras de tantos sermões, pastorais e brochuras? Quanto à questão do emprego de dinheiro, sabemos que em Lyon muita gente, por certo animada de maus sentimentos, havia dito que os dois milhões fornecidos por esta cidade aos cofres de São Pedro teriam dado mais pão a muitos operários infelizes durante o inverno, ao passo que a leitura dos livros espíritas lhes deu coragem e resignação para suportar sua miséria sem revolta.
O Pe. Nampon não é feliz em suas citações. Numa passagem de O Livro dos Espíritos ele nos faz dizer: “Há tanta distância entre a alma do animal e a alma do homem, quanto entre a alma do homem e a alma de Deus.” (N o 597). Nós dissemos: ...quanto entre a alma do homem e Deus, o que é muito diferente. A alma de Deus implica uma espécie de assimilação entre Deus e as criaturas corpóreas. Compreende-se a omissão de uma palavra por inadvertência ou erro tipográfico; mas não se acrescenta uma palavra sem intenção. Por que essa adição, que desnatura o sentido do pensamento, senão para dar um tom materialista aos olhos dos que se contentarem em ler a citação sem a verificar no original? Um livro que apareceu pouco antes de O Livro dos Espíritos, e que contém toda uma teoria cosmogônica, faz de Deus um ser muito diversamente material, porque composto de todos os globos do Universo, moléculas do ser universal, que tem um estômago, come e digere, e do qual os homens são o mau produto de sua digestão; contudo, nem uma palavra foi dita para o combater: todas as cóleras se concentraram sobre O Livro dos Espíritos. Será, talvez, porque em seis anos chegou à décima edição e espalhou-se em todos os países do mundo?
Não se contentam em criticar: truncam e desnaturam as máximas para aumentar o horror que deve inspirar essa abominável doutrina e nos pôr em contradição conosco mesmo. É assim que diz o Pe. Nampon, citando uma frase da introdução de O Livro dos Espíritos, página XXXIII: “Certas pessoas, dizei vós mesmos, entregando-se a esses estudos perderam a razão.” Damos assim a impressão de reconhecer que o Espiritismo conduz à loucura, ao passo que, lendo todo o parágrafo XV, a acusação cai precisamente sobre aqueles que a lançam. É assim que, tomando um trecho da frase de um autor, poderíamos levá-lo à forca. Os mais sagrados autores não escapariam a essa dissecção. É com tal sistema que certos críticos esperam mudar as tendências do Espiritismo e fazer crer que ele preconiza o aborto, o adultério, o suicídio, quando demonstra peremptoriamente a sua criminalidade e as funestas conseqüências para o futuro.
O Pe. Nampon chega mesmo a apropriar-se de citações feitas com o objetivo de refutar certas idéias. “O autor – diz ele – às vezes chama Jesus-Cristo Homem-Deus; mas alhures (O Livro dos Médiuns, página 368), num diálogo com um médium que, tomando o nome de Jesus lhe dizia: “Eu não sou Deus, mas sou seu filho”, logo replica: “Então sois Jesus? Sim – acrescenta o Pe. Nampon – Jesus é chamado Filho de Deus, mas na acepção ariana, não sendo, portanto, consubstancial com o Pai.”
Antes de mais, não era o médium que se fazia passar por Jesus, mas um Espírito, o que é muito diferente. A citação é feita precisamente para mostrar a velhacaria de certos Espíritos e prevenir os médiuns contra seus subterfúgios. Pretendeis que o Espiritismo negue a divindade do Cristo ou vistes tal proposição formulada em princípio? É, dizeis vós, a conseqüência de toda a doutrina. Ah! se entrarmos no terreno das interpretações, poderemos ir mais longe do que quereis. Se disséssemos, por exemplo, que o Cristo não tinha chegado à perfeição, que teve necessidade das provas da vida corpórea para progredir; que a sua paixão lhe tinha sido necessária para subir em glória, teríeis razão, porque dele não faríamos sequer um Espírito puro, enviado à Terra com missão divina, mas um simples mortal, a quem o sofrimento era necessário, a fim de progredir. Onde encontrais que tenhamos dito isto? Pois bem! aquilo que nunca dissemos, que jamais diremos, sois vós que dizeis.
Ultimamente temos visto, no parlatório de uma casa religiosa de Paris, a seguinte inscrição, impressa em letras grandes e afixada para a instrução de todos: “Foi preciso que o Cristo sofresse para entrar na sua glória, e não foi senão depois de ter bebido a longos sorvos na torrente da tribulação e do sofrimento que foi elevado ao mais alto dos céus.” (Salmo 109, v. 8.) É o comentário deste versículo, cujo texto é: “Ele beberá no caminho a água da torrente e é por ali que erguerá a cabeça (De torrente in via bibet: propterea exultabit caput)”
23 .  Se, pois, “foi preciso que o Cristo sofresse para entrar na sua glória; se não pôde ser elevado ao mais alto dos céus senão pelas tribulações e pelo sofrimento”, é que antes nem estava na glória nem no mais alto dos céus; por conseguinte não era Deus. Seus sofrimentos, pois, não aproveitavam somente à Humanidade, desde que necessários ao seu próprio adiantamento. Dizer que o Cristo tinha necessidade de sofrer para elevar-se é dizer que não era perfeito antes de sua vinda.

23 N. do T.: O comentário referido não corresponde ao salmo citado.

Enviado por: "Joel Silva"

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Se liga... Reflexão... Qual sua opinião?... Desenvolva o tema...


A cultura do estupro

... por que quando um estupro acontece, a primeira coisa que se passa pela cabeça das pessoas é se questionar se a vítima está falando mesmo a verdade? Certamente não é o que ocorre com outros crimes, a não ser que você duvide toda vez que alguém afirma ter sido vítima de um assalto ou roubo. A resposta é simples: por conta da cultura do estupro, que é muito enraizada na nossa sociedade.
 
Uma série de mitos sobre o estupro e a cultura que o perpetua são disseminados diariamente. Você provavelmente já contribuiu para isso ocorrer, mesmo sem querer. Por isso GALILEU consultou pesquisas, relatos e conversou com especialistas para explicar o que é esse infeliz fenômeno, como eles afeta a sociedade e, o mais importante, como podemos melhorar. Confira abaixo: 
 
1 - O que é a cultura do estupro?
O termo foi cunhado na década de 70 por feministas americanas e, de acordo com o Centro das Mulheres da Universidade Marshall, nos Estados Unidos, é utilizado para descrever um ambiente no qual o estupro é predominante e no qual a violência sexual contra as mulheres é normalizada na mídia e na cultura popular. 
Ao disseminar termos que denigrem as mulheres, permitir a objetificação do corpos delas e glamurizar a violência sexual, a cultura do estupro passa adiante a mensagem de que a mulher não é um ser humano, e sim uma coisa. "Vivemos em uma sociedade patriarcal que considera que nós mulheres somos ou sujeitos de segunda categoria, ou em alguns casos, que não somos sujeitos e podemos ser utilizadas ou destruídas", explica Izabel Solyszko, que é professora, assistente social e doutoranda em Serviço Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
 
2 - A cultura do estupro começa no nascimento
Quando uma família dá boas-vindas a um bebê, o recém-nascido vem com várias expectativas: se for menino, espera-se que ele seja agressivo; se for menina, espera-se que seja delicada. São scripts pré-determinados para cada gênero. "O conceito de gênero surge para questionar a ideia de uma essência ou natureza que explique os comportamentos", diz a pesquisadora Jane Felipe de Souza, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). "É essa necessidade de se pautar em aspectos biológicos para justificar diferenças, as colocando como desigualdade, inferioridade, que o conceito de gênero procura combater."
Como aponta Arielle Sagrillo, doutoranda em psicologia forense na Universidade de Kent, na Inglaterra, a sociedade cria expectativas muito grandes para ambos os gêneros. "Não permitimos que as crianças e adultos transitem entre esses espaços. Desde cedo dizemos a esses sujeitos o que eles devem ser, antes mesmo que possam descobrir o que querem, o que lhes afeta e como lidam com suas próprias emoções", afirma.
Dentro das expectativas, observa a advogada americana Reshma Saujani, os meninos são criados para serem corajosos e se arriscarem, enquanto as meninas são criadas para buscarem a delicadeza e a perfeição. Da mesma forma, espera-se que eles sejam mais agressivos ("Homem de verdade não chora", não é mesmo?) e que elas se sintam responsáveis — pela casa, pelos filhos, pelo companheiro e até mesmo pelas violências que sofrem. 
"Os homens são ensinados a usarem a agressividade de maneira violenta, desde a infância são estimuladas a vivenciarem sua sexualidade até um ponto de serem reconhecidos como pessoas que 'precisam de sexo', 'que perdem a cabeça por sexo', que se tornam praticamente 'irracionais' quando o assunto é sexo", explica Solyszko. "Isso faz com que as pessoas pensem que o estupro é uma questão de sexo e sexualidade quando o estupro é uma questão de violência porque se trata de uma agressão bárbara e brutal que invade o corpo de outra pessoa." 
 
3 - Existem vários mecanismos que propagam a cultura do estupro
Pense nos comerciais aos quais você assistiu recentemente. Agora se concentre naqueles que possuem presença feminina. Reflita ainda mais: em quantos deles as mulheres aparecem como um simples corpo para agradar os homens? Quantos deles contam com piadas relacionadas às aparências delas?
Tal representação é chamada de objetificação. Um estudo realizado pela Associação Americana de Psicologia explica que "muitas mulheres são objetificadas sexualmente e tratadas como objetos para serem valorizadas por seu uso", o que só reforça a ideia de que a mulher é uma coisa, e não um ser humano. Segundo Solyszko, além de ser patriarcal, a sociedade em que vivemos é racista e capitalista. "Essas três dimensões de dominação e de opressão vão permitir que as vidas e os corpos das mulheres sejam explorados, mercantilizados, coisificados e, inclusive, agredidos, mutilados, estuprados e assassinados." 
 
4 - Você também contribui com a cultura do estupro
E não precisa ser um estuprador para que isso aconteça. Ao consumir músicas que denigrem a mulher e disseminar vídeos, imagens, comentários e piadas sexistas, por exemplo, você contribui para que a objetificação da mulher seja reforçada. "Nessa cultura machista que só pode se sustentar pela existência de uma sociedade patriarcal, são diversos os mecanismos que vão das piadas que nos desqualificam para dirigir, para ser engenheiras, para ser presidente do país até a violência sexual no transporte público e nas ruas", pondera Izabel Solyszko.
Vale ressaltar que a violência contra a mulher não se restringe ao estupro. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular, podem ser consideradas formas de assédio cantadas ofensivas ou com apelo sexual indesejado; coerção; a violência física; a desqualificação intelectual e a violência sexual, que vai desde o toque sem consentimento até o estupro. Dados do Think Olga mostram que 48% dos assédios são verbais e 68% deles ocorrem durante o dia. 
 
5 - O estuprador pode ser um cara normal
Existem alguns mitos em torno dos estupradores, sendo os principais deles o de que o agressor é uma pessoa estranha e o segundo de que é um ser cheio de problemas psicológicos. Nenhuma dessas afirmações são verdadeiras.
Um levantamento realizado pelo IPEA em 2014 aponta que 24,1% dos agressores das crianças são os próprios pais ou padrastos, e 32,2% são amigos ou conhecidos da vítima. Isso sem contar casos de violência contra a mulher dentro de relacionamentos como namoros e casamentos, onde as linhas entre o consensual e a violência são mais nebulosas.
Além disso, de acordo com Arielle Sagrillo, os estudos que foram feitos sobre estupradores até o momento não identificaram nenhum tipo de patologia. "O que leva um sujeito a cometer um estupro pode ser uma série de coisas. Entre elas, um não entendimento de que o que está fazendo é violência, não ver seu ato como violência sexual, e isso tem relação com a educação. É uma questão cultural", afirma Sagrillo. 
Ela explica ainda que existem várias "crenças disfuncionais" em relação às mulheres que colabora para que os agressores cometam a violência. "Só é estupro se for em um beco escuro", "uma mulher se comportando ou vestindo uma roupa está pedindo para ser estuprada", "mulheres secretamente desejam que o estupro aconteça" e "o não quer dizer sim, ela deve estar fazendo charme", são alguns deles. 
 
6 - A vítima nunca é a culpada
Como reforça Izabel Solyszko, "independentemente do nosso comportamento e da nossa aparência, nada, absolutamente nada (nem que eu seja garota de programa, nem que eu seja promíscua, nem que eu esteja bêbada, nem que eu esteja sozinha com vários homens em um quarto), realmente nada vai justificar uma violência contra mim".
No livro Missoula, de Jon Krakauer, a promotora Suzy Boylan pondera que o estupro é o único crime em que presume que a vítima esteja mentindo. "Se uma pessoa é assaltada num beco, ficaríamos céticos com o depoimento da vítima só porque não havia testemunha ocular? Nós iríamos duvidar da vítima de um roubo porque ela deixou a porta de casa destrancada?", questiona. 
O silenciamento e a culpabilização das vítimas são alguns dos principais artifícios da cultura do estupro. "Se o sigilo falha, o agressor ataca a credibilidade de sua vítima. Se não consegue silenciá-la totalmente, ele tenta se certificar de que ninguém lhe dê ouvidos. Para tanto, convoca um impressionante esquadrão de argumentos, da negação mais descarada à racionalização mais sofisticada e elegante", explica Judith Lewis Herman em "Trauma and Recovery". "Depois de cada atrocidade, podem-se esperar ouvir as mesmas desculpas previsíveis: jamais aconteceu; a vítima mente; a vítima exagera; a vítima que provocou isso; e em todos os casos é o momento de esquecer o passado e seguir em frente."
O problema é que a cultura do estupro está tão enraizada na sociedade em que vivemos que não é só o agressor que apresenta tal comportamento: profissionais da saúde e da lei também o reproduzem. No relato que deu ao Fantástico, a vítima do estupro coletivo no Rio de Janeiro contou que foi interrogada por vários homens que expuseram imagens do crime para ela, além de realizarem questionamentos absurdos como se já tinha feito sexo grupal. "É fácil esquecer que o dano causado a uma vítima de estupro que é desacreditada pode ser no mínimo tão devastador quanto o dano causado a um homem inocente que é injustamente acusado de estupro", aponta Jon Krakauer em Missoula. "E, sem dúvida, o segundo caso acontece com muito mais frequência."
 
 
(Texto fonte Galileu - Figuras fonte EBC)
 

domingo, 25 de setembro de 2016

Mural Reflexivo: Presente para você



Presente para você

Se um dia ao acordar, você encontrasse ao lado de sua cama, um lindo pacote embrulhado com fitas coloridas, com certeza o abriria para ver o que haveria dentro.

Talvez houvesse ali algo de que você nem gostasse muito. Então guardaria a caixa, pensando no que fazer com aquele presente.

Mas, no dia seguinte, lá está outra caixa. Mais uma vez você abre correndo e, dessa vez, há alguma coisa da qual goste muito.

Uma lembrança de alguém distante, uma roupa que viu na vitrine, um casaco para os dias de frio ou simplesmente um ramo de flores de alguém que se lembrou de você.

Isso acontece todos os dias, mas nós nem percebemos.

Todos os dias quando acordamos, lá está, à nossa frente, uma caixa de presentes enviada por Deus especialmente para nós: um dia inteirinho para usarmos da melhor forma possível.

Às vezes, ele vem cheio de problemas, coisas que não conseguimos resolver, tristezas, decepções, lágrimas.

Mas outras vezes, ele vem cheio de surpresas boas, alegrias, vitórias e conquistas.

O mais importante é que todos os dias, enquanto dormimos, Deus embrulha para nós com todo o carinho, nosso presente: o dia seguinte.

Ele cerca nosso dia com fitas coloridas, não importa o que esteja por vir.

A esse dia quando acordamos, chamamos presente, o presente de Deus para nós.

Nem sempre Ele nos manda o que esperamos ou o que queremos.

Mas Ele sempre nos manda o melhor, o de que precisamos e que, muitas vezes, pode ser mais do que merecemos.

Abra seu presente todos os dias, primeiro, agradecendo a quem o mandou, sem se importar com o que vem dentro da embalagem. Sem dúvida, Deus não se engana na remessa dos pacotes.

Se hoje não veio o presente que você aguardava, espere.

Abra o de amanhã com mais carinho, pois pode ser que, a qualquer momento, os seus sonhos cheguem embrulhados em um presente, de acordo com os planos de Deus para você.

Deus não atende as nossas vontades e sim nossas necessidades.

*  *  *
        Agradeçamos a Deus por cada dia a mais que temos a oportunidade de viver.

Cada dia é realmente um presente de Deus.

Em um dia apenas podemos ter mais uma chance de aprender algo novo sobre a vida ou sobre nós mesmos, de corrigir um erro, de tropeçar, levantar e nos sentirmos mais fortalecidos, de perdoar ou sermos perdoados.

É outra chance que temos de crescer como Espíritos e dar mais um passo em direção à felicidade.

Agradeçamos por mais um ano que se finda no calendário da nossa vida.

Agradeçamos infinitamente, por mais um ano que se inicia em nosso calendário.

Ter um ano inteiro pela frente é como ter um caderno em branco aonde se vai caligrafar.

Nesse caderno podemos deixar registradas histórias coloridas ou em preto e branco, de amores ou dores, de luzes ou de sombras.
 
Tudo dependerá do que carregarmos em nosso íntimo. A escolha pelo caminho do bem, da resignação, da fé e do amor é de cada um.

        Que nossas escolhas agradem a Deus, para que um dia a realização dos nossos sonhos faça parte do plano Divino.
 
Redação do Momento Espírita, com base em  mensagem de autor desconhecido.

sábado, 24 de setembro de 2016

Como a música que toca na loja influencia suas compras

Como a música que toca na loja influencia suas compras

Justin Parkinson
BBC News Magazine
 
Após "fazer uma extensa pesquisa e receber comentários" de funcionários e clientes, a rede de lojas de departamento britânica Marks and Spencer (M&S) anunciou que não terá mais qualquer tipo de música ambiente em suas unidades.
 
A medida levanta algumas questões: por que estabelecimentos comerciais tocam música? E como isso afeta nossa mente?
Estudos já mostraram que esse tipo de som, conhecido popularmente como "música de elevador", altera nossos padrões de compra.
Estabelecimentos utilizam esse recurso "para aumentar as vendas", diz Adrian North, professor de Psicologia da Música da Universidade Curtin, em Perth, na Austrália.
Uma pesquisa realizada por North em um restaurante inglês indicou, por exemplo, que os clientes gastaram em média 2 libras a mais por pessoa quando escutaram música clássica em vez de pop.
Outro experimento feito por ele apontou que as percepções de sabor também são alteradas. Canções "suaves" fizeram com que pessoas avaliassem um vinho como "suave". E um som mais "intenso" fez com que o vinho fosse classificado como... "intenso".
Estaria, então, a rede britânica abrindo mão de um recurso capaz de manipular os consumidores?

'Musica de elevador'
A história da música ambiente começa na década de 1920, quando o general George Squires patenteou um processo para transmitir música por meio da rede elétrica.
Ela ficou conhecida como "música de elevador" porque um de seus primeiros usos se deu em arranha-céus justamente para acalmar quem usava os elevadores, que ainda eram uma novidade com a qual poucas pessoas estavam familiarizadas na época.
Nos anos 1940, passou a ser usada como uma forma de relaxar trabalhadores e, assim, aumentar sua produtividade. Desde então, é tida como um tipo de som genérico e suave que quase passa despercebido, criando um ambiente tranquilo para se fazer compras.
A M&S começou a ter música ambiente em suas lojas apenas em 2006.
Naquela ocasião, o maestro e pianista argentino Daniel Barenboin disse em uma rodada de palestras organizada pela BBC que isso estava contribuindo para criar uma geração de pessoas que não conseguiam mais se concentrar em uma música e realmente escutá-la.
À época, uma pesquisa da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, indicou que a música tocada em lojas não afeta de forma significativa o estado de ânimo declarado pelos próprios clientes, mas tinha impacto em seu comportamento.
Aqueles com maior propensão de comprar por impulso gastaram mais quando havia música ambiente, que teve um efeito contrário no consumidor que pensa mais antes de comprar, levando-o a gastar menos.
Seria esta a explicação para a decisão da M&S de banir a música ambiente de suas lojas?

Manipulação?
Defensores da música ambiente argumentam que ela pode manipular o comportamento de consumidores tanto quanto o design de uma loja, a organização e decoração do espaço e a forma como os produtos são apresentados.
North diz haver evidências de que tocar canções da cantora francesa Edith Piaf estimulam a compra de vinhos franceses em vez de, por exemplo, vinhos sul-africanos.
"E sabemos que a música clássica aumenta as vendas de produtos mais caros", afirma o especialista, "enquanto música sertaneja aumenta as vendas de produtos úteis".
Há alguns anos, o compositor Paul Stokes tentou registrar as músicas que ouvia quando saía às compras em Londres, mas desistiu porque "eram músicas inexpressivas ou mesmo os hits pop do momento".
"Especialistas dizem que você nota apenas a primeira música de uma sequência de três", diz ele. "No restante do tempo, a música estava ali para gerar conforto e tranquilidade."

Ceticismo
Com uma clientela predominantemente jovem, a rede de artigos esportivos Foot Locker se orgulha de usar músicas modernas e agitadas em suas lojas.
Mas Stokes se mantém cético quanto ao efeito da música na percepção de uma marca por consumidores. "Tudo parecia ter uma base científica até eu conversar com um amigo sobre o assunto", conta ele.
O compositor diz que esse amigo trabalhava em uma unidade da rede de lojas de acessórios Tie Rack no fim dos anos 1990, e que o escritório regional enviava todos os meses fitas com as músicas que deveriam ser tocadas nos estabelecimentos.
"No entanto, como a loja era pequena e só tinha dois funcionários, ele trocava as fitas da loja por outras dele próprio quando o gerente saía. E garante que conseguia vender mais com sua seleção musical do que com a de especialistas."
Notícia publicada na BBC Brasil, em 2 de junho de 2016.

Glória Alves* comenta
 
A música! A bela e pura música tem o poder de nos elevar espiritualmente a paisagens etéreas, podemos mesmo sentir as vibrações delicadas dos acordes musicais que vão impregnando a nossa alma. Clássicas, religiosas, românticas, enfim, músicas que falam fundo ao nosso coração, como Clair de Lune, obra prima de Claude Debussy, músico e compositor francês (1862-1918), entre outras obras primas da arte musical.
Companheira no dia a dia, seja no trabalho, nos momentos de lazer, na condução, na hora de dormir, estudando ou lendo um bom livro, curtindo os amigos, sempre colocamos aquela música ou estação de rádio favorita, criando um ambiente aconchegante e de paz.
Podemos encontrá-la em vários lugares, nos templos religiosos, consultórios, bares, restaurantes e algumas lojas. Música ambiente, música para meditação, ou mesmo aquelas agitadas e altas, que muitas vezes nos incomodam, mas que muitos curtem; em ambientes fechados ou abertos, a música é um atrativo a mais onde quer que estejamos.
Sabemos que tudo vibra, tudo é som e harmonia na natureza, no Universo, que “os sons em música rítmica para acalentar o homem vêm de tempos muito longínquos”.(1)
A música possui a capacidade estética de traduzir os sentimentos, atitudes e valores culturais de um povo ou nação. Dessa maneira, inata, a música é parte da cultura humana desde tempos remotos, como nos diz Wenefledo; como instrumento de diálogo não verbal, não sendo uma linguagem propriamente, é considerada linguagem universal, pois não conhece nem idiomas nem fronteiras; veículo de comunicação, reúne em torno dela povos de culturas diferentes sob uma base comum de compreensão e relação; e confunde-se com a própria história do desenvolvimento da inteligência e da cultura humana.
E pegando o gancho do texto... como a música afeta a nossa mente? Os esclarecimentos para essa pergunta vamos inicialmente encontrar nas pesquisas realizadas pela Ciência, como por exemplo a Neurologia e a Psicologia. No campo da ciência biológica e psicológica, as pesquisas demonstram que “o ser humano é essencialmente musical, seja no ritmo corporal (andar, mastigar, falar...), seja no ritmo fisiológico (respirar, nos batimentos cardíacos, intestinos...) ”.(2)
Segundo um estudo divulgado por cientistas da Universidade de Helsinque, na Finlândia, dirigido pelo professor Chakravarthi Kanduri, conclui-se que escutar música clássica com frequência aumenta a atividade dos genes envolvidos na secreção de dopamina, na neurotransmissão sináptica, na aprendizagem e na memória. Os resultados obtidos pela pesquisa proporcionam uma nova informação sobre a origem molecular da percepção musical e sua evolução, abrem portas para novas pesquisas e descobertas sobre os mecanismos da musicoterapia.
A jornalista Carolina Octaviano, formada pela PUC-Campinas, com especialização em Jornalismo Científico pelo Labjor da Unicamp, em seu artigo Os Efeitos da Música no Cérebro Humano, na revista “Com Ciência”, publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciências (SPBC), esclarece que “a música, assim como outras manifestações culturais e artísticas, é capaz de despertar sentimentos e reviver lembranças. É um universo de significados, representações e percepções distintas, tornando possível afirmar que cada pessoa a perceberá de um modo diferente. Esse tipo de arte aciona diversas áreas do cérebro humano, como o sistema límbico que é a região responsável pelas emoções, pela motivação e pela afetividade, podendo ainda induzir atos e pensamentos quando ouvimos as músicas religiosas, românticas ou as agitadas”.(3)
Contribuindo para a socialização, a música ainda funciona como um bálsamo, um remédio, e pode até chegar a curar as mais profundas tristezas da nossa alma, como a depressão, pois ela possui a capacidade de aumentar a produção de endorfina, combatendo a depressão, o estresse, a ansiedade; além de aliviar os sintomas de algumas doenças, como a hipertensão e o câncer, auxiliando no tratamento de pacientes com dores crônicas.
Esse é o campo da Musicoterapia, tratamento que utiliza músicas, sons e movimentos com fins terapêuticos, promovendo a saúde de pessoas, doentes ou sadias, levando o indivíduo a uma melhor qualidade de vida, prevenindo, reabilitando ou tratando de algumas enfermidades. A prática da Musicoterapia é adotada em diversos hospitais, clínicas e centros de reabilitação para a integração física, psicológica e emocional. Tudo isso é maravilhoso!
Não fugindo ao tema central da matéria da BBC, “Como a música que toca na loja influencia suas compras”, e outras questões levantadas na matéria, por causa da decisão da maior rede de lojas de departamentos do Reino Unido, a Marks & Spencer (M&S), com mais de 840 lojas espalhadas em mais de 30 países, de abolir de suas unidades qualquer tipo de música ambiente, após pesquisa e comentários realizados entre seus funcionários e clientes.
Isso tudo acontece à mesma época de uma pesquisa realizada pela Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, Universidade Estadual de Nova Jérsei, indicando que a música tocada em lojas não afeta de forma significativa o estado de ânimo declarado pelos próprios clientes, mas tinha impacto em seu comportamento.
Buscando outras pesquisas sobre a influência da música ambiente e o comportamento de compra do consumidor, além do resultado da pesquisa realizada pela Universidade Rutgers, citada na matéria, encontrei várias outras envolvendo o uso da música em estabelecimentos comerciais. A primeira questão, então, levantada pela BBC em torno desse assunto levou a seguinte pergunta: “por que estabelecimentos comerciais tocam música?"
Na própria matéria encontramos esclarecimentos para essa questão. Adrian North, professor de Psicologia da Música da Universidade Curtin, em Perth, na Austrália, diz que os estabelecimentos utilizam esse recurso "para aumentar as vendas”. North compara o uso da música mais suave ou mais intensa, influenciando o sabor do vinho, e que os clientes gastaram mais ao ouvir a música clássica ao invés da música pop.
Não obstante, a utilização da música ambiente como uma das ferramentas capazes de influenciar emocionalmente os consumidores de maneira a alterar o padrão de compra, a rede de lojas britânica M&S resolveu acabar com a música ambiente em suas lojas.
Vivemos atualmente o boom das mídias sociais, com a tecnologia avançando mais a cada dia, facilitando a comunicação, a educação e o entretenimento. As mídias sociais são grandes aliadas, ferramentas de marketing e de publicidade, tornando os negócios mais lucrativos. Consumidores cada vez mais exigentes, sensíveis e mais críticos, antenados, com as marcas e tudo que é de consumo, fazem com que as técnicas tradicionais de Marketing, hoje em dia, não funcionem tão bem como no passado, o que tem levado os profissionais dessa área a pesquisar e encontrar técnicas inovadoras capazes de gerar vendas; é então que entra em cena o marketing sensorial.
O marketing sensorial “é um conjunto de ações de comunicação não verbal, (...) que tem a finalidade de fixar uma marca, um produto ou até mesmo um serviço, criando sensações através dos cinco sentidos humanos e, com isso, um vínculo emocional com o consumidor. É o uso dos sentidos para criar experiências inesquecíveis através do olfato, do tato, do paladar, da audição e da visão. O objetivo do marketing sensorial é fazer que os consumidores se sintam à vontade no ponto de venda e passe um tempo grande na loja, o que gera uma possibilidade maior de compra”.(4)
O marketing sensorial envolve a percepção através dos sentidos e a memória no comportamento do consumidor. Os profissionais dessa área trabalham os aromas, sabores, imagens e sons para motivar o emocional do comprador em direção ao produto, e a música ambiente é usada para estimular múltiplos sentidos.
No caso da audição, as “músicas devem ser adequadas aos ambientes. Em lugares mais agitados a música alta pode vir a atrapalhar. Escritórios, lojas e supermercados devem dispor de uma “rádio” interna própria, selecionando o tipo de música que envolva o ambiente ou então manter a sintonia em uma rádio que toque músicas que se identifiquem com o perfil dos clientes, num volume ideal ao seu público. Não se coloca, por exemplo, um Heavy Metal em um restaurante italiano no horário do almoço”.(5)
Em várias pesquisas em torno da música ambiente, verifica-se que a maioria delas chegou à mesma conclusão da pesquisa realizada pela Universidade Rutgers, citada na matéria, de que a música ambiente não afeta de forma significativa o estado de ânimo declarado pelos próprios clientes, não é o único estímulo no processo de decisão de compra, apesar de ter impacto no comportamento do consumidor.
“Outros fatores interferem nesse processo, como os fatores culturais, sociais e pessoais, que possuem peso maior na decisão de compra; sendo menos relevantes, os psicológicos, que envolvem percepção, motivação, aprendizagem e atitudes.”(6)
Seria esta a explicação para a decisão da M&S de banir a música ambiente de suas lojas?, pergunta a BBC. Pode ter sido, não sabemos; embora as pesquisas apontem que a música ambiente não estimula o comportamento do consumidor, nessas mesmas pesquisas, ela obteve resultados satisfatórios, como sua notoriedade, satisfação e complemento do ambiente, mostrando dessa maneira a preferência em se fazer compras com ela. A rede M&S, pode ter optado por trabalhar os outros fatores também estimulantes e que possuem influência de maior peso no comportamento do consumidor, conforme os citados acima.
O fato é que, quando entramos em uma loja ou um restaurante, enfim, em um estabelecimento comercial qualquer, alguns estímulos como a cor, a iluminação, o clima, a posição de pessoas e dos objetos, e principalmente os preços, podem nos influenciar o comportamento, visto que estes fatores, segundo as pesquisas, podem afetar a nossa percepção sensorial.
Somado a todos esses fatores, se encontramos uma música adequada ao ambiente, mantendo uma atmosfera aconchegante e agradável, ou talvez uma atmosfera intensa e movimentada, para quem gosta, poderemos permanecer mais tempo no estabelecimento, usufruindo dessa atmosfera ambiente e, dependendo do emocional de cada um, até consumir mais. Aí é que mora o perigo! Comprar mais, gastar além das necessidades reais...
O fato é que a música influencia a nossa mente de modo especial, impressiona e invade nosso ser, podemos sentir sensações de alegria, de quietude, de angústia, de desgosto, de dor, de pena, de remorsos. Influenciando-nos de forma sagrada, a música nobre nos leva até ao êxtase, a beatitude, arrancando-nos das ideias confusas, de incertezas do nosso mundo de provas e expiações, para as vibrações do nosso íntimo com o Infinito.
“As óperas imortais não nasceram do lodo terrestre, mas da profunda harmonia do Universo, cujos cânticos sublimes foram captados parcialmente pelos compositores do mundo, em momentos de santificada inspiração.”(7)
Léon Denis, O Grande Apóstolo do Espiritismo, nos fala da música com toda propriedade de um conhecedor, pois ele era ardoroso admirador da música e sempre que podia assistia a uma ópera ou concerto. Gostava de dedilhar, ao piano, árias conhecidas e de tirar acordes para seu próprio devaneio. Em sua obra “O Espiritismo na Arte”, que reúne uma série de artigos publicados em 1922 na Revista Espírita, fundada por Allan Kardec, nos traz informações e esclarecimentos acerca das Artes, e entre elas a influência sobre nós da música. Diz Denis:
“A influência da música é imensa e, segundo os indivíduos, reveste-se das mais diferentes formas. Os sons graves e profundos agem sobre nós de tal maneira que o melhor de nós mesmos se exterioriza. A alma se desprende e sobe até as fontes vivas da inspiração.”
Nesse mesmo livro, o Espírito Jules Massenet, compositor francês (1842 - 1912), nos fala sobre a música terrestre e a música celeste, dizendo que a primeira nos dá uma satisfação da qual a nossa sensibilidade nervosa se aproveita; porém a segunda é de essência divina, que proporciona alegrias morais, sensação de bem-estar, êxtases tão profundos quanto mais puro formos.
Há muito ainda que aprendermos sobre a influência da música em nossas vidas, sobre nossa relação com a Arte em geral, sobre o Belo e o Bem.
Concluímos com as palavras de Elton Rodrigues: “A música, meus irmãos, produz efeitos tão maravilhosos que ainda não possuímos a capacidade para distinguir tais efeitos em nós. Hoje, começamos a vislumbrar essas impressões em nosso corpo material. Amanhã, será em nosso espírito. Em um futuro mais distante teremos a capacidade de emitir esse amor em vibrações tão sublimes que ajudaremos os nossos irmãos na retaguarda.”(8)

Fontes Bibliográficas:
(1) “Passes e Curas Espirituais” - Wenefledo de Toledo - lição 15ª - Magnetismo da Música;
(2) Ballone GJ, A Música e o Cérebro - PsiqWeb <www.psiqweb.med.br>;
(4) “Neuromarketing. Descodificando a Mente do Consumidor” - Pedro Camargo. (2009) <http://empresasvalesjc.com.br/colunistas/pub/marketingsensorial.php>;
(5)  “Marketing Sensorial - Sinta a diferença” - Wagner Campos;
(7) “O Consolador” - q. 167 - Espírito Emmanuel - Francisco Cândido Xavier;
(8) Artigos & Notícias - Música, o alimento da alma - Elton Rodrigues <http://www.celd.org.br/musica-o-alimento-da-alma/>.
 
* Glória Alves nasceu em 1º de agosto de 1956, na cidade do Rio de Janeiro. Bacharel e licenciada em Física. É espírita e trabalhadora do Grupo Espírita Auta de Souza (GEAS). Colaboradora do Espiritismo.net no Serviço de Atendimento Fraterno off-line e estudos das Obras de André Luiz, no Paltalk.