terça-feira, 15 de agosto de 2017

“Você precisa fazer isso”: Uma jovem de 20 anos é julgada por induzir namorado ao suicídio

Noticias Internacional
Yahoo Notícias
Uma mulher de 20 anos foi julgada por supostamente induzir o namorado ao suicídio, três anos atrás.
Michelle Carter é acusada de pedir repetidamente para que seu namorado, Conrad Roy III, de 18 anos, tirasse a própria vida. Ela enviou dezenas de mensagens de texto e fez várias ligações com este objetivo quando tinha 17 anos, como parte de um “jogo doentio”.
A promotora Maryclare Flynn disse no julgamento de Michelle, que Roy estava sentado em seu veículo no estacionamento de uma loja, em julho de 2014. A caminhonete estava cheia de monóxido de carbono.
Quando ele saiu do veículo, Michelle disse para ele “voltar lá para dentro”, afirmou a promotora Flynn, no julgamento que aconteceu no tribunal de Taunton, Massachusetts.
Ela acrescentou que Michelle, que nunca chamou as autoridades ou os pais de Roy quando ele morreu, queria a simpatia e a atenção que uma “namorada em luto” recebe.
O advogado de defesa, Joseph Cataldo, alega que Roy estava deprimido após a separação dos pais, além de sofrer abuso físico e verbal de seus familiares, e já pensava em suicídio há um tempo, chegando a pesquisar métodos de suicídio online.
Ele disse que Michelle fez o que fez para incentivar o namorado a conseguir ajuda.
O casal se conheceu em 2012, na Flórida, mas só se viram pessoalmente algumas vezes, mesmo morando apenas a 56 quilômetros de distância.
Normalmente, eles se comunicavam por mensagens de texto e chamadas telefônicas.
O Sr. Cataldo disse ao tribunal que Roy sugeriu que eles deviam fazer como Romeu e Julieta, os amantes que se matam na peça de Shakespeare, mas Michelle disse que não queria que eles morressem.
Ele disse: “Conrad Roy pensava em tirar a própria vida há anos”.
“Cometer suicídio foi ideia de Conrad Roy. Não de Michelle Carter”.
“Isso foi um suicídio, um trágico e triste suicídio, mas não foi um homicídio”.
Ele insistiu que a jovem lidava com os próprios problemas emocionais e tomava remédios que podem ter nublado seu julgamento.
A mãe de Roy, Lynn Roy, testemunhou que, após a morte do filho, ela recebeu mensagens de Michelle expressando seus pêsames, mas sem mencionar qualquer conhecimento prévio sobre quaisquer planos do rapaz de se suicidar.
A jovem foi acusada de ser delinquente juvenil, o que a torna passível de ser punida como adulta, caso condenada.
Andy Wells
Yahoo News UK
Notícia publicada no Yahoo! Notícias, em 9 de junho de 2017.

Glória Alves* comenta

O advogado de defesa de Michelle Carter, Joseph Cataldo, disse ao tribunal: “Isso foi um suicídio, um trágico e triste suicídio, mas não foi um homicídio.”
Nosso comentário não visa fazer o julgamento das pessoas envolvidas nesse triste caso, cabe-nos, apenas, analisar os fatos à luz da Doutrina Espírita.
A lei divina afirma, categoricamente: “Não matarás!”
Diante do Supremo Senhor da Vida, é um “grande crime tirar a vida ao seu semelhante, pois corta uma existência de expiação ou de missão. Aí é que está o mal”.(1)
E o suicídio? Igualmente é grande crime; o homem não tem o direito de tirar a sua própria vida. Esclarecem os Espíritos Superiores que “somente Deus tem esse direito” e que “o suicídio voluntário é uma transgressão da lei de Deus”.(2)
A defesa do advogado pode servir para absolver ou atenuar a pena da jovem, mas suicídio ou homicídio são transgressões às leis naturais, e o culpado, mais cedo ou mais tarde, terá que reparar.
Seja qual for a sentença estabelecida pelas Leis Humanas, leis ainda imperfeitas, elaboradas por homens imperfeitos e destinadas a homens igualmente imperfeitos, para Michelle Carter, ou quem quer que seja, jamais fugiremos à sentença da Lei de Deus, eterna e imutável como Ele mesmo. Há em nós um juiz implacável que nos cobrará as ações, a nossa consciência, onde está inscrita essa lei.
E para o infrator, esteja onde estiver, com quem quer que seja, carregará consigo a culpa e o remorso do erro cometido, até que através do arrependimento, da expiação e da reparação desse erro, em existências futuras, o ser consciente, “mediante ações positivas, reabilitadoras, que resultarão dos pensamentos íntimos enobrecedores”, poderá, então, anular o efeito da transgressão às leis divinas, destruindo-lhe a causa.(3)
Michelle Carter é acusada de induzir, instigar e auxiliar o namorado ao suicídio. Segundo a promotora Maryclare Flynn, Michelle pediu repetidamente para que seu namorado tirasse a própria vida; enviou dezenas de mensagens de texto e fez várias ligações com este objetivo, como parte de um “jogo doentio”; nessa época ela tinha 17 anos e seu namorado, Conrad Roy III, 18 anos.
No Código Penal brasileiro, é considerado crime: induzimento, instigação ou auxílio a suicídio. Reza o Artigo 122: Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça é classificado como um crime contra a vida.
Atualmente no mundo, vivemos uma onda sinistra de jogos e desafios nas redes sociais, entre os jovens, que induzem ao suicídio, automutilação e até desaparecimentos, principalmente entre aqueles que apresentam algum tipo de transtorno psicológico, como a depressão, problemas familiares, fracasso escolar e as perdas afetivas.
A psicóloga Angela Bley, coordenadora do Instituto de Psicologia do Hospital Pequeno Príncipe, diz que o adolescente com autoestima baixa, sem vínculo familiar fortalecido, é mais vulnerável a cair neste tipo de armadilha. “O que tem diálogo em casa, não é criticado o tempo todo, tem autoestima melhor, tem risco menor. Deixe que ele fale sobre o jogo, o que sente, é um momento de diálogo entre a família.”(4)
Dessa maneira, a família, a escola e todos os que trabalham e se envolvem com os jovens devem buscar o diálogo sem preconceitos e sem julgamentos. Amar os filhos é salvá-los do suicídio, acolhê-los é dar segurança emocional. O lar, portanto, deve ser o porto seguro do homem em evolução, rumo à plenitude espiritual.
A paternidade, conforme esclarecem os Espíritos Superiores, é missão e dever, que envolve a responsabilidade dos pais quanto ao futuro do filho que Deus colocou em suas mãos para proteger, amparar e guiar pelo caminho do bem. Se o filho vier a sucumbir por culpa dos pais, sofrerão estes as consequências de sua queda moral, recaindo sobre os eles no futuro os sofrimentos do filho, por não terem feito tudo o que dependia deles para que o filho progredisse na estrada do bem.
Através de Divaldo Franco, o Espírito Bezerra de Menezes nos diz que “a família é a base da sociedade, que não pode ficar relegada a plano secundário. Viver em família com elevação e dignidade, é valorização da Vida, na oportunidade que Deus concede ao Espírito para crescer e atingir as culminâncias a que está destinado”.(5)
E em 16/6/2017, a Corte Juvenil do Condado de Bristol, no Sul de Massachusets, condenou a jovem Michelle Carter pelo suicídio de Conrad Roy III. “Ela foi considerada culpada da acusação de homicídio culposo involuntário, por ter incentivado por meio de mensagens de texto que Roy tirasse a própria vida.”(6)
Cada um de nós é responsável somente pelas suas próprias faltas, ninguém sofrerá a pena das faltas pelos outros, a menos que a elas tenham dado ensejo, seja provocando-as pelo nosso exemplo, seja não as impedindo quando tínhamos condições de fazê-lo.
Lembrando os ensinamentos dos Benfeitores da Humanidade, quando apontam que aqueles que levam o infeliz ao ato de desespero, ao suicídio, sofrerão as devidas consequências do ato, “responderão como por um assassínio”.(7)

Referências bibliográficas:

(1) “O Livro dos Espíritos” - Allan Kardec - Q. 746;
(2) Idem (1) - Q. 944;
(3) “Momentos de Meditação” - Joanna de Ângelis - Divaldo Franco;
(5) Mensagem psicofônica - Reunião do Conselho Federativo Nacional, em 07-11-1993, Brasília, DF;
(7) Idem (1) - Q. 946a.
* Glória Alves nasceu em 1º de agosto de 1956, na cidade do Rio de Janeiro. Bacharel e licenciada em Física. É espírita e trabalhadora do Grupo Espírita Auta de Souza (GEAS). Colaboradora do Espiritismo.net no Serviço de Atendimento Fraterno off-line e estudos das Obras de André Luiz, no Paltalk.

Elas viveram luto durante a gravidez e contam como superaram

Redação Vida e Estilo
Por Thaís Sabino (@thaissabino)
Era para ser o período mais feliz da vida deles. Finalmente, o sonho cultivado por tanto tempo estava prestes a se realizar. Os dois passariam a ser três, talvez quatro em alguns anos, mas o importante naquele momento, em que um “risco” a mais ou a menos tem tanto significado, é que eles estavam formando uma família. Emoção, excitação e a vontade de dividir a notícia com o mundo tornaram impossível fazer qualquer surpresa. Paula Nogueira ainda lembra de assistir ao marido chorar de felicidade ao saber que seria pai. E hoje é ela quem chora ao contar que Allan faleceu antes de ver o filho nascer.
Paula já era mãe quando conheceu Allan e decidiu ter mais um filho para realizar o sonho do parceiro. “Ele ficou todo bobo”, contou Paula sobre a primeira reação de Allan. Logo toda a família já estava sabendo. Quando descobriu que seria um menino, Paula ainda tentou convencê-lo a guardar segredo até o “chá de revelação”, porém Allan não conseguiu conter a empolgação. “Tínhamos escolhido os nomes Manuela ou Miguel. Mas naquele momento ele disse que queria Pedro, para homenagear o avô. Fiz uma cara de insatisfeita, e concordamos com Miguel”, contou Paula.
“Bebê” se tornou o assunto favorito das conversas diárias e o tempo no trânsito – Allan sempre levava Paula de carro ao trabalho – passou a ser preenchido com a escolha de cores e peças para o enxoval. O que Paula não sabia é que sua vida viraria de cabeça para baixo ainda nos primeiros meses de gravidez. Allan reclamou de uma dor no braço naquele dia de 2016, mas seguiu com a rotina normal. Mais tarde, ele teve uma parada cardíaca e faleceu. Paula ficou inconsolável e hoje diz que não teria esperança de ser feliz novamente se não fosse o Pedro, e não Miguel, ter entrado em sua vida.
A dor e “frustração” de não poder colocar juntos pai e filho não diminuem com o tempo. Já faz 10 anos que Cris Guerra teve que lidar com sentimentos de luto e vida ao mesmo tempo. Diferente de Paula, Cris não estava tentando engravidar, pelo menos não mais após sofrer dois abortos em um relacionamento anterior. Mas, no fundo, o desejo de ser mãe ainda a acompanhava. “Sabe quando você tem um sonho e esconde de si mesma? Era tudo o que eu mais queria na vida”, contou.
Guilherme, o pai, também ficou realizado com a notícia. “Quando fizemos a primeira ultrassonografia do Francisco e ouvimos o coração bater, choramos muito. Foi uma das cenas mais emocionantes da minha vida”, lembrou Cris. A alegria do casal teve um choque pouco tempo depois. A forma como Cris perdeu Gui não é muito diferente da história vivida por Paula: ele sofreu uma parada cardíaca em casa, sozinho e não pôde ser socorrido. “Senti uma dor que não tem nome. Achei que nunca mais iria parar de sofrer”, lembrou Cris.

“O Francisco me salvou”, disse Cris

A recuperação não foi fácil. Paula teve descolamento de placenta, anemia e a incerteza de que conseguiria levar a gestação até o final. Cris teve que lidar com a possibilidade de estar muito feliz e muito triste ao mesmo tempo. “Digo que o coração dele (Francisco) bateu por nós por um tempo”, disse ela. “Como não dizer que eu era a mulher mais feliz do mundo depois da vinda de um filho perfeito? Mas ao mesmo tempo, a presença do Francisco me lembrava imediatamente a falta do Gui”, continuou. Foi esse sentimento que motivou Cris a começar o blog “Para Francisco”. “Ao invés de engolir o luto, preferi mergulhar nele e vivê-lo por inteiro, para sair inteira também”, disse ela.
Os textos escritos por Cris são emocionantes e carregam mensagens sobre o pai que Francisco não conheceu. Funcionou como uma “bomba de oxigênio”, segundo ela descreveu, pois a ajudou a voltar a respirar. “Entendi que eu precisava registrar minhas lembranças enquanto elas ainda estavam frescas na memória e no coração, para que o Francisco, no futuro, tivesse acesso ao pai. Foi uma maneira que encontrei de desabafar”, justificou.

Um álbum de recordações

Paula também encontrou uma forma de se reconectar ao parceiro. Entre os planos do casal, estava um ensaio fotográfico da gestação. “Ele curtia muito, estávamos só esperando a barriga crescer, mas não deu tempo”, disse ela. Paula encontrou um fotógrafo disposto a tornar esse sonho realidade: ele colocou Allan presente na vida da nova família, mesmo que apenas em um álbum de recordações. “Foi a maneira que encontrei para homenageá-lo”, concluiu Paula.
Notícia publicada no Portal Yahoo!, em 7 de março de 2017.

Fabiana Shcaira Zoboli* comenta

Ao mencionarmos o tema gravidez, costuma surgir em nossa mente uma figura materna, envolta em uma aura de beleza e ternura, e quase sempre esquecemos de que, para uma gestação ser plena e feliz, a presença do pai do bebê faz toda a diferença.
Afinal, longe de ser aquele que sai de madrugada em busca de comidas extravagantes, o pai é o companheiro que presta inestimável apoio nos incontáveis momentos desafiadores da gestação e que, muitas vezes, emociona-se e vibra, tanto quanto a mulher, com a perspectiva de ter em seus braços seu filho.
Na reportagem, vemos dois pais, vibrantes com a perspectiva de partilhar a Vida com seus filhos, desencarnando, repentinamente, frustrando esse sonho, ao mesmo tempo em que, para as mães, impôs-se a necessidade de conseguir forças, talvez sobre-humanas, que só o amor pode promover, para levar a termo a gravidez e prosseguir com suas Vidas.
Observamos o esforço dessas mulheres que, como mães, lutaram para vencer essa fase e lembramos a necessidade de vivenciar o luto. Muitas famílias sofrem com o desencarne de familiares e o luto, ao contrário do que muitas vezes se prega, precisa ser vivenciado para ser superado. A narrativa, como a mamãe Cris fez ao criar o blog, tem sido uma importante ferramenta para se lidar com o luto, mas outras existem, formando o que se tem chamado de "Terapia do Luto", que ajuda muitos a superar essa fase de grande tristeza.
A condição de espíritas pode e ajuda a lidar melhor com o desencarne, porque traz a consciência de que a Vida do nosso familiar continua e em planos mais elevados. Mas, às vezes, por isso mesmo, muitos espíritas acreditam que não devem sentir a dor da separação, quando isso ainda não nos é possível no estágio evolutivo em que nos encontramos. E assim, a dor da separação e todos os sentimentos que advém do falecimento de um ser querido machucam, independente da religião, e podem se constituir em uma grande prova, colocando em cheque a nossa fé, que, muitas vezes, precisa ser reconstruída.
Essas mamães vivenciaram o luto e mostraram que é possível superar esse momento doloroso e seguir com a Vida, reconstruindo, muitas vezes, a fé, as convicções e até os próprios sonhos, sabendo que quem partiu antes de nós, estará sempre em nosso coração.
Sem dúvida, essa superação traz grande crescimento ao Espírito imortal que, em essência, somos, sendo necessário reconhecer que são essas experiências que mais nos ajudam a desenvolver virtudes e nos ajudam a galgar degraus importantes na escalada de nossa evolução – tanto para quem desencarna, como para quem permanece encarnado -, onde vemos a solicitude de Deus mesmo nos momentos dolorosos, sendo que, especialmente neles, Ele não nos abandona, fortalecendo-nos e inspirando-nos sempre - não esqueçamos disso.
Isabel Allende, escritora peruana de ascendência chilena, também passou pelo desencarne doloroso de um ente querido, de sua filha. E, para ela, escreveu a célebre obra “Cartas a Paula”, na esperança de Paula recuperar-se de um coma irreversível, o que não aconteceu. E, em meio às suas reflexões, reproduzimos aqui, uma de suas frases que ilustra o quanto podemos crescer, mesmo em meio ao desencarne de seres queridos, como fizeram as mamães da reportagem, se, ao invés de nos rebelarmos, aceitarmos e continuarmos a Viver: “Quando sentimos que a mão da morte nos pousa no ombro, a vida ilumina-se de outra maneira e descobrimos em nós mesmos coisas maravilhosas de que nem sequer suspeitávamos.”
* Fabiana Shcaira Zoboli é espírita e colaboradora do Espiritismo.net

Superando Desafios - Programa 004

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